sábado, 17 de junho de 2017

CAP. V - As ideias pedagógicas do despotismo esclarecido (1759 - 1827) RESUMO SAVIANI


O século XVIII foi marcado, em Portugal, pelo contraste da atmosfera religiosa, ainda dominante, com suas crendices e a visão racionalista pautada pela lógica; pelo anseio por mudanças e o peso das tradições; entre a fé e a ciência.

As novas ideias iluministas vinham de portugueses residentes no exterior, em especial com a Inglaterra, Itália e França, esses personagens eram chamados de “estrangeirados”, inclusive o próprio Sebastião José de Carvalho e Melo – que vinha a ser o Marquês de Pombal.

Em 1775, o Pombal apresenta nove princípios básicos do novo Estado: o desenvolvimento geral da cultura, o incremento da indústrias, o progresso das artes, o progresso das letras, o progresso científico, a vitalidade do comércio interno, a riqueza do comércio externo, a paz política, a elevação do nível de riqueza e bem-estar.

Por meio do Alvará de 28 de junho de 1759, determinou-se o fechamento dos colégios jesuítas, o rei Dom José I ordenou que os religiosos da Campanha de Jesus fossem tidos como desnaturalizados e exterminados do território português e de todas as terras de além-mar – introduzindo-se as aulas régias a serem mantidas pela Coroa.

Tal Alvará se ateve à “Reforma dos estudos menores” que correspondem ao ensino primário e secundário; trazia disposições relativas ao diretor de estudos e aos professores de gramática latina, do grego e de retórica – privilegiou os estudos das chamadas “humanidades”.

Já a “Reforma dos estudos superiores” por meio dos novos “Estatutos da Universidade de Coimbra” teve o sentido de orientar a vida cultural portuguesa pela ideologia iluminista – implantado em 1772, o Marquês de Pombal permaneceu em Coimbra acompanhando tudo.

O ideário pedagógico das reformas pombalinas visavam modernizar Portugal, a nível do Século das Luzes, como ficou conhecido o século XVIII e sintonizá-lo ao desenvolvimento centrado no modo de produção capitalista, como o que ocorria na Inglaterra. Por isso, a remodulação da instrução pública com a criação das aulas régias de primeiras letras, à racionalização das aulas de gramática latina, assim como a modernização da Universidade de Coimbra pela introdução dos estudos das ciências empíricas, acrescentou-se a criação da Aula do Comércio e do Colégio dos Nobres.

No Brasil, após a aprovação do Alvará de 1759, houve concursos realizados na Bahia para as cadeiras de latin e retórica, assim como a nomeação dos primeiros professores régios de Pernambuco, deu-se em ritmo lento, pelas resistências encontradas e falta de recursos financeiros.

O Seminário de Olinda, fundado por Azevedo Coutinho, foi criado inteiramente dentro do espírito iluminista e em consonância com o teor das reformas pombalinas, inaugurado em 1800; guiavam-se pelas ideias do despotismo esclarecido, incorporando as concepções e práticas pedagógicas dos oratorianos nas bases teóricas de Verney, expressas em “O verdadeiro método de estudar”. O Plano de Estudos concedia espaço para a filosofia natural, com os estudos de física experimental, história natural e química, em voga, por espírito prioritariamente prático.

Princípais características das reformas pombalinas da instrução pública, cujos influxos no Brasil, se estenderam de 1759 a 1834:

Ø  Estatização e secularização da administração do ensino na figura do Diretor-Geral de Estudos, criado pelo Alvará de 28 de Junho de 1759 – por diretores locais e comissários;
Ø  Estatização e secularização do Magistério, organizando exames de estado conduzidos pela Diretoria-Geral dos Estudos como mecanismo e controle e condição do exercício docente;
Ø  Estatização e secularização dos conteúdos de ensino, controlado pela Real Mesa Censória, mediante a censura de livros e obrigando os professores a encaminhar relatórios de atividades por eles realizados, assim como o desempenho dos alunos, à Diretoria-Geral dos Estudos;
Ø  Estatização e secularização da estrutura organizacional mediante a criação de aulas régias de primeiras letras e humanidades mantidas pelo Estado com recursos provenientes do “Subsídio Literário”, criado para isto;
Ø  Estatização e secularização dos estudos superiores por meio de ampla e profunda reforma da Universidade de Coimbra.

É possível constatarmos que as reformas pombalinas se contrapõem ao predomínio das ideias religiosas, passando a constituir-se ainda que superficialmente, com base nas ideias laicas inspiradas no Iluminismo, instituindo o privilégio do Estado em matéria de instrução pública.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4ª ed. – Campinas, SP: Autores Associados, 2013. – (Coleção memória da educação)

domingo, 4 de junho de 2017

A "Sociedade Sem Escolas" de Ivan Illich


- Por que Ivan Illich queria banir a instituição escola da sociedade? 

- Por que sua intenção e luta era propor à sociedade uma espécie de teia educacional?


Principais ideias do livro de Ivan Illich - "Sociedade Sem Escolas", publicado em 1971

"... não apenas a educação, mas a própria realidade social tornou-se escolarizada." Ivan Illich

Defende que a sociedade precisa ser desescolarizada;

Segundo Ivan, a escola tem vários problemas, um dos principais é a escolarização;

Geralmente, se faz a confusão entre:

educação X escola
instrução escolar, ensino X aprendizagem efetiva
diploma X competências
Obtenção de graus X educação
fluência no falar X capacidade de dizer algo

Segundo Ivan Illich, há ainda outros problemas na escola: seu prolongamento artificial, seus elementos destrutivos (como a avaliação classificatória educacional);

Com isso, o direito de aprender é interrompido pela obrigatoriedade de frequentar a escola - burocracia;

Ivan Illich propõe uma espécie de teia educacional em que todos pudessem transformar cada momento de sua vida com aprendizado, participação e cuidado;

Propõe o modelo na era do lazer, onde todos aprendem permanentemente em seu cotidiano, no seu trabalho, com amigos e nas diversas relações sociais, se mostra favorável a auto-aprendizagem apoiada em relações intencionais sociais e fluída e informal;

Propõe as redes de aprendizagem - "[...] a busca atual de novos canais educativos deverá ser transformada do seu oposto institucional em redes educativas que aumentem a oportunidade de cada um transformar cada momento de sua vida num outro de aprendizagem, de partilha e de interesse." (novas tecnologias)

Link do livro em PDF na internet: http://www.bunkerdacultura.com.br/books/ivan_illich_sociedade_sem_escolas.pdf
  

domingo, 21 de maio de 2017

SOMOS TODOS CANALHAS - Corrupção política



Ótima indicação de leitura para quem deseja entender mais da dinâmica da ética humana e não sair por aí com um montão de achismos, principalmente, no que se refere a falta de educação como sendo a causa da corrupção em nosso país. 

Se fosse por falta de educação, em Brasília não teríamos corrupção, afinal, a maioria tem graduação acadêmica.

Gente, não precisa muito para compreendermos a corrupção em nosso país. Basta irmos a uma fila de banco - os espertinhos deixam os velhinhos lá para trás - ou entrar num ônibus lotado que veremos idosos, gestantes e deficientes em pé - enquanto que os "marmelões" estão belos e sentados.

Gente, corrupção é algo puramente humano. 

A grande questão é: Como enfrentá-la, por quê enfrentá-la ou como garantir meios de não serem burlados ou retirados os direitos dos menos favorecidos \\\ essas são questão que devemos nos ocupar e não simplesmente apontar o dedo, sendo que a corrupção está em toda a estrutura da sociedade - desde o cidadão simples até o cidadão que usa "colarinho branco" no planalto.

Não estou aqui defendendo o presidente ou qualquer partido que seja. Estou aqui porque de tanto ouvir a mesma estória, me incomoda o fato de não haver uma discussão séria sobre o assunto.

Aí o mundo fica a ver apenas a ponta do iceberg, sem considerar toda uma estrutura complexa, política, social, cultural, econômica e tecnológica por trás do momento caótico político que atravessa o Brasil atualmente.

Segue anexo que dá para baixar em PDF pelo Google: https://ensaiosflutuantes.files.wordpress.com/2016/03/somos-todos-canalhas-clovis-de-barros-filho.pdf

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Diversidade linguística e pluralidade cultural no Brasil

  • Três ambientes de socialização (família, amigos e escolas);
  • Papéis sociais (pai, mãe, filho, filha, avós, tias, etc...);
  • Estilo monitorado e não monitorado;
  • Eventos com a língua escrita e com a língua oral (não existe a forma ‘certa’ ou ‘errada’ de falar, mas sim formas ‘adequadas’ as diversas situações;
  • O linguísta Antunes Nascentes propõs uma divisão dialetológica em duas grandes áreas dialetais: a norte e a sul, cada uma delas subdivididas em subáreas;
  • A variação regional ou falar é um instrumento identidário como mero resultado de fatores políticos e econômicos – o dialeto (variação regional) pode ser considerado ‘ruim’ ou ‘bom’, se a região for pobre ou rica, respectivamente.


domingo, 23 de abril de 2017

CAP. IV – A “máquina mercante” e as metamorfoses na educação RESUMO SAVIANI


2º PERÍODO: As ideias pedagógicas no Brasil entre 1759 e 1932: coexistência entre as vertentes religiosa e leiga da pedagogia tradicional

CAPÍTULO IV – A “máquina mercante” e as metamorfoses na educação

Os jesuítas gerenciavam uma grande empresa moderna, conforme a lógica dos latinfúndios monocultores; em condições vantajosas, pois, além de contar com frequentes doações, com os favores reais e isenção de tarifas, desfrutavam da mão de obra gratuita dos índios reunidos em aldeamentos dirigidos pelos jesuítas.

Possuíam um imenso patrimônio – colégios, seminários e igrejas, casas de aluguel, terras de cultivo, fazendas, engenhos, currais e, como agentes produtores em todas essas propriedades, considerável número de escravos.

O quadro econômico descrito juntou-se a questão política das terras missionárias, quando as Coroas da Espanha e de Portugal se voltaram juntamente contra os jesuítas, estes se indispuseram contra as duas Coroas nos termos do Tratado de Madri.


Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do estado do Grão-Pará e Maranhão descreve ao Marquês de Pombal em 21 de novembro de 1751 e relata que os padres empreendiam contra a liberdade dos índios; a posse dos bens situados; a venda de drogas, de carnes e couros, de peixes; e como se não bastassem tais denúncias, os jesuítas se recusavam a cumprir as bulas e ordens papais, assim como as determinações reais, resultando num conflito insolúvel com a Coroa Portuguesa, culminando na expulsão desses, decretado em 1759.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4ª ed. – Campinas, SP: Autores Associados, 2013. – (Coleção memória da educação)

sábado, 1 de abril de 2017

Traços da Personalidade - Desenho Humano - Os quatro tipos

Os Quatro Tipos

MANIFESTADOR * -Os Manifestadores são pessoas energéticas, são os verdadeiros iniciadores. Estão no mundo para manifestar, da comunicação à ação, e para isso precisam primeiro informar ao outro. ESTRATÉGIA: informar antes de agir.

GERADOR* - Os Geradores estão no mundo para gerar energia, para responder à vida. Precisam ser perguntados, questionados pelo outro (os), assim podem acessar sua verdade e responder de acordo com sua natureza. ESTRATÉGIA: esperar para responder. Não iniciar.

PROJETOR* - Os Projetores estão no mundo para guiar, são naturalmente capazes de guiar e trabalhar com a energia do outro(s). ESTRATÉGIA: esperar por convites especiais da vida: casamento, carreira, família, amor, etc. Não perseguir, não iniciar.

REFLETOR* - Os Refletores estão no mundo para descobrir quem realmente são através das experiências e da interação com o outro (s). Um Refletor não tem nenhuma definição, não tem centros ou canais definidos, não tem nada fixo em sua natureza que seja algo em que possa contar como seguro, como consistente. ESTRATÉGIA: esperar um ciclo completo da lua (28.5 dias) antes de tomar decisões importantes. Esta espera é o tempo necessário para o Refletor conhecer sua verdade, para então tomar a decisão correta de acordo com sua natureza.

Aos interessados, faço seu desenho humano. WhatsApp: 081995718328

http://www.desenhohumanobrasil.com.br/comunidade/biblioteca/osquatrotipos

Dicas para escrever o Relatório Psicopedagógico

DICAS PARA ESCREVER  RELATÓRIO PSICOPEDAGÓGICO O relatório psicopedagógico é diferente do relatório pedagógico em vários aspetos. O...