sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pronúncia das Consoantes Líquidas *\r\ e \l\*




Inconfundível Cebolinha  *Personagem de Maurício de Sousa


C
C
V
p
r

b
l

t


d


c


g


v


f


*C: consoante e V: vogal


- Na segunda coluna só podem ocorrer as chamadas consoantes líquidas, \r\ e \l\;

- Na primeira coluna ocorrem os chamados fonemas oclusivos e os fonemas fricativos, estes últimos, pronunciados com a língua plana \f\ e \v\;


Atenção, porque, do ponto de vista articulatório \r\ e \l\ são muito semelhantes: 

bloco>broco
problema>pobrema
claro>craro

dentre outros...


Atenção Psicopedagogos: 

Se constatado a neutralização do \r\ e \l\ na pronúncia, pode caracterizar um problema articulatório que deve ser tratado por fonoaudiólogos

Dica de Leitura:

http://turmadamonica.uol.com.br/personagem/cebolinha/
http://turmadamonica.uol.com.br/quadrinhos/


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

De Tanto Ver, Banalizamos o Olhar



DE TANTO VER, A GENTE BANALIZA O OLHAR


"De tanto ver, a gente banaliza o olhar - vê...
não vendo. Experimente ver, pela primeira vez,
o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é: o que nos cerca, o que nos é familiar,
já não desperta curiosidade.

O campo visual  da nossa retina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.
Se alguém lhe perguntar o que você vê no caminho,
você não sabe.
De tanto ver você banaliza o olhar.

Sei de um profissional que passou 32 anos a fio
pelo mesmo hall do prédio de seu escritório.
Lá estava sempre, pontualíssimo, o porteiro.
Dava-lhe bom dia e, às vezes,
lhe passava um recado ou uma correspondência.

Um dia o porteiro faleceu. 
Como era ele? Sua cara?
Sua voz? Como se vestia?
Não fazia a mínima ideia.
Em 32 anos não conseguiu vê-lo.

Para ser notado, o porteiro teve que morrer.
Se um dia, em seu lugar estivesse uma girafa
cumprindo o rito, pode ser, também, 
que ninguém desse 
por sua ausência.

O hábito suja os olhos e abaixa a voltagem.
Mas há sempre o que ver: gente, coisas, bichos.
E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que um adulto não vê.
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.

O poeta é capaz de ver pela primeira vez, 
o que, de tão visto, ninguém vê.

Há pai que raramente vê o próprio filho.

Marido que nunca viu a própria mulher.

Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.

... É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença."


Otto Lara Rezende

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Currículo e Pós-Estruturalismo


Currículo: simplesmente um texto

Currículo como um conceito multifacetado, perpassando pelo formal, pelo oculto e pelo vívido. 

- Pelo viés formal, temos o eficientismo defendido por Bobit (estadunidense), em 1918, um currículo científico, associado à administração escolar e baseado em conceitos como eficiência, eficácia e economia. 

*Já o progressivismo defendido por John Dewey, conta com mecanismos de controle social menos coercitivos, como meio de diminuir as desigualdades sociais geradas pela sociedade urbana industrial, com o objetivo de construir uma sociedade harmônica e democrática. No Brasil, seus princípios foram disseminados em 1920 por Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo, responsáveis pelas reformas ocorridas na Bahia (1925) e no Distrito Federal (1927).

*Já a racionalidade Tyleriana, em 1949, com uma abordagem eclética, articulando abordagens técnicas, como as eficientistas com o pensamento progressivista. A principal obra de Tyler, de 1949, denominada de "Princípios básicos de currículo e ensino". Seu modelo é um procedimento linear e administrativo em quatro etapas: 1) definição dos objetivos de ensino; 2) seleção e criação de experiências de aprendizagens apropriadas; 3) organização dessas experiências de modo a garantir maior eficiência ao processo de ensino; e, 4) avaliação do currículo.

- Pelo viés oculto, temos o primeiro silêncio - Hegemonia, ideologia e poder. 

*Na década de 1970 foram produzidas as teorias marxistas, assim como as teorias da correspondência ou da reprodução como crítica ao currículo escolar em seu aparato de controle social.

*A hegemonia é tomada na leitura que Williams faz de Gramsci, ao conjunto organizado e dominante de sentidos que são vívidos pelos sujeitos como uma espécie de senso comum. Contexto da Nova Sociologia da Educação (NSE) inglês de 70.

*A ideologia, na tradição marxista, em resumo, como espécie de falsa consciência que obriga toda a sociedade a enxergar o mundo sob a ótica de um grupo determinado ou sob a ótica das classes dominantes.

- Pelo viés vívido, temos o segundo excluído: o que acontece nas escolas.

*Teóricos da matriz fenomenológica argumentam em favor de um currículo aberto à experiência dos sujeitos e defendem o currículo para além do saber socialmente prescrito a ser dominado pelos estudantes. 

*Paulo Freire é um dos nomes mais marcantes, constrói uma teoria eclética, onde colaboram a fenomenologia e o existencialismo, a exemplo do livro publicado em 1970, "Pedagogia do Oprimido" - partindo da contraposição clássica do marxismo entre opressores e oprimidos para analisar a educação como bancária e anti-dialógica.


E quanto a perspectiva pós-estrutural? Quais são os seus aportes teóricos de um currículo sob tal ponto de vista?


A norma para o currículo, portanto, não é o consenso, a estabilidade e o acordo, mas o conflito, a instabilidade, o desacordo, porque o processo é de construção seguida de desconstrução seguida pela construção.


- Por referência, os textos e traduções de Tomaz Tadeu da Silva são os mais citados, em meados de 1990. Partilha com o estruturalismo uma série de pressupostos, o mais relevante é a desconstrução no que diz respeito ao lugar da linguagem na constituição do social. Ambos adotam uma postura antirrealista, advogam que ao invés de representar o mundo, a linguagem o constrói.


Em crítica a estrutura, o pós-estruturalismo é obrigado a desconectar totalmente a ideia de significado do significante

* Todo significante é, portanto, flutuante e seu sentido somente pode ser definido dentro de uma formação discursiva histórica e socialmente contingente.

* A questão entre discurso - e conhecimento como parte do discurso - e poder. A capacidade de unificar um discurso é em si um ato de poder, de modo que as metanarrativas modernas precisam ser vistas como tal e não como expressão da realidade. 

* Pode-se entender os discursos pedagógicos e curriculares como atos de poder, o poder de significar, de criar sentidos e de hegemonizá-los.


A questão fundamental se torna: como e em que condições um determinado discurso é capaz de construir a realidade? A ideia de aluno, por exemplo, o que o torna real ao longo do tempo, como se inserem em um sociedade específica.


aluno X professor

educando X educador

aprendiz X facilitador

aprendente X ensinante


Outros significantes a palavra aluno:

aprendiz, discípulo, educando, estudante, novato, principiante, colegial, escolar lecionando, pupilo, discente.


Alguns significantes a palavra professor:

mentor, formador, orientador, preceptor, mestre, doutor, educador, pedagogo, titular, catedrático, instrutor, docente.



Bibliografia:

LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de currículo. Cap. 1 - Currículo. 1. Ed. São Paulo: Cortez, 2011




Dicas para escrever o Relatório Psicopedagógico

DICAS PARA ESCREVER  RELATÓRIO PSICOPEDAGÓGICO O relatório psicopedagógico é diferente do relatório pedagógico em vários aspetos. O...