domingo, 25 de março de 2018

A invenção de novas tecnologias versus Interfaces da individualidade


Durante a idade média houveram muitas mudanças no seio da sociedade e transformações decorrentes de invenções importantes, o invento do relógio mecânico é um dos vários exemplos que podem ser citados, que podem nos fazer compreender um novo conceito de tempo, já o telescópio nos altera a sensação de espaço e escala, o alfabeto traz em si a ideia de alfabetização, conhecimento e letramento, dentre outras invenções que podem ser enumeradas ao longo da história;

Há certo consenso entre os pesquisadores de que a idade medieval findou-se no início do século XV, e mais precisamente, com a descoberta da prensa tipográfica de Gutenberg e a produção de livros em série. Cabe também salientar que a invenção da televisão e da informática, ocorridas no século XX, delinearam de forma significativa novo sentido para a individualidade contemporânea;



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A descoberta da prensa tipográfica

Neste sentido, de todas as descobertas e invenções tecnológicas que ocorreram na transição da idade medieval para a Idade Média em seu auge, a descoberta do prelo foi a que obteve maior relevância, até porque, ninguém esperava que um ourives alemão, de Mogúncia, com uma velha prensa produtora de vinho serviria para a criação da produção em série de livros impressos;

Johannes Gutenberg (1398 - 1468) Arcebispado de Mogúncia, Sacro Império Romano-Germânico e considerado o inventor da prensa tipográfica.

Segundo Neil Postman (2011, p.32), “A imprensa criou uma nova definição de idade adulta baseada na competência de leitura, e [...] uma nova concepção de infância baseada na incompetência de leitura”. Nesse novo contexto social, a população de massa necessitou de escolarização para socializar-se com o livro impresso, ao novo indivíduo que surge a partir do século XV;
Assim, a instituição escola se popularizou a partir daí, assim como o novo cidadão letrado aos poucos foi sendo incorporado na sociedade;

“[...] por volta de 1480 havia tipografias em cento e dez cidades de seis países diferentes, cinquenta só na Itália. Em 1482, Veneza era a capital mundial da tipografia e Aldo Manúncio, um veneziano, era provavelmente o tipógrafo mais ocupado da cristandade”. (Idem, 2011, p. 39)



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A difusa ideia de individualidade do século XV

A realização pessoal era quase irrelevante no mundo medieval numa cultura que se baseava praticamente pela prática da oralidade nos processos de interação e convivência social, com a prole o indivíduo passou a obter a possibilidade de fixar as próprias palavras e obras nos livros impressos, germinando assim uma nova e difusa ideia de individualidade promovida pela descoberta de Gutenberg;

Segundo Postman (2011, p. 37), as mudanças tecnológicas em comunicação se desdobram, basicamente, em três tipos de efeitos: o primeiro é alterar a estrutura dos interesses – coisas em que pensamos; depois em modificar o caráter dos símbolos – as coisas com que pensamos – e por fim, a natureza da comunidade – a área em que os pensamentos e as intenções se desenvolvem no sentido de que “[...] toda máquina é uma ideia, ou um conglomerado de ideias”;


A partir do século XV, os sujeitos compartilham um novo ambiente social em praticamente toda a Europa tendo promovida a leitura e a escrita como artefato social, evidenciando a necessidade de preparar desde a infância, a criança que se tornará uma adulta para este novo contexto social. Assim, a modernidade produziu a divisão do mundo adulto em relação a do infantil a partir do mundo letrado que surge com prensa de Gutenberg;



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A era da informação e o panorama da individualidade no século XXI

Em resumo, a história da informática e da internet moderna, inicia-se a partir de 1970 com a empresa norte-americana “Intel Corporation” que lança seu primeiro microprocessador LSI – Large Scale Integration, em chip pequeno disponibilizado comercialmente, contendo integração dos circuitos e reunindo as funções do processador central, tais como: a unidade de processamento, a memória e os controles de entrada e saída de dados;

A década de 1970 ficou conhecida pela avalanche de microcomputadores pessoais. A Xerox lançou a sua primeira estação de microprocessador com entrada para mouse, o Scelbi SH, para trabalho pessoal;

Já em 1990, temos a geração de computadores pessoais. Os anos 2000 fizeram história e foi marcado pelo aparecimento de computadores móveis, a canadense RIM lançava o primeiro Smartphone do mundo, chamado de Blackberry;

O primeiro Smartphone com tela sensível ao toque e com sistema operacional avançado com capacidade de rodar aplicações complexas e ainda com player de música e animações foi apresentado por Steven Paul Jobs em 2007, estadunidense do setor de informática, co-fundador da Apple;

Na mesma década foi lançado o iPad, no ano de 2010, responsável pela criação e gesticulação da indústria gigantesca de Tablets, assim como o iPhone fez com os tão conhecidos Smartphones;


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A era do treinamento, de humanos infoxicados e da fluente Geração X, Y e Z

Para a preocupação de p@is e professores, vivemos na era do treinamento. Segundo Augusto Cury (2008), que em seu livro intitulado de “O código da Inteligência: A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional”, nos diz que hoje em dia existe treinamento para tudo o que pretendemos ser, seja para praticar esportes, dançar, calcular, escrever, treina-se também para dirigir veículos, operar máquinas, usar computadores, administrar empresas, tomar vinho e apreciar uma boa obra de arte. Esta é a égide que rege as sociedades atuais;
Neste linha de raciocinio, Cury (2008, p. 71) nos diz que as sociedades atuais geram o humano com a Síndrome do Pensamento Acelerado – SPA, com a hiperconstrução de pensamentos e sente dizer que “[...] nos sentimos mais ameaçados do que os seres humanos do passado, pois nossos inimigos se multiplicaram e se tornaram mais penetrantes”. Diante do exposto, das mazelas sociais e psíquicas presentes na sociedade, cometemos um erro gravíssimo: não desenvolver nossas capacidades imaginárias, nossa capacidade de superação das interpéries e nossas potencialidades intelectuais resultantes de nossa ação no teatro social e psíquico. (Nos capítulos III e IV, tratarei melhor do assunto);
As causas da SPA são muito conhecidas, como os excessos  de informações que nos são acessíveis. Temos excessos de estímulos visuais e sonoros advindos da televisão, do computador, da internet e dos games. Temos excessos de responsabilidades, compromissos e atividades (em cursos de atualização profissional e de línguas, por exemplo) e como se não bastasse, ainda temos o desejo compulsório pelo sucesso a qualquer custo e por ser o número 1º, assim como a competição voraz pelo mesmo. As informações se multiplicam a cada cinco anos na atualidade. Os sintomas são conhecidos e parece que grande parte da população mundial das sociedades atuais, desde crianças até os idosos são acometidos por ela, assim descreve Cury (2008, p. 72):

“Irritabilidade; Flutuação emocional; Inquietação; Intolerância e contrariedades; Déficit de concentração; Esquecimento; Fadiga excessiva; Sono não reparador gerando cansaço ao despertar, assim como sintomas psicossomáticos: dores de cabeça, dores musculares, queda de cabelo, gastrite e outros.”

O indivíduo infoxicado pode ser comparado a alguém contaminado por um vírus que compartilha com os outros via internet, principalmente, mentiras e informações falsas, sem conseguir avaliar a veracidade dos fatos, não consegindo medir as possíveis consequências que podem causar tais mentiras;
O termo Geração X foi criado por Robert Capa em 1950 para designar as pesssoas nascidas após o chamado “Baby Boom”, entre as década de 20 e 40, com o aumento significativo na taxa de natalidade nos Estados Unidos no pós-guerra, inclui ainda aqueles que nasceram no início de 1960 e final dos anos de 1970, sendo incluídos os que nascerão até o ano de 1982. O “bom passado” narrado por nossos p@is sobre as brincadeiras de rua, de pular corda, de esconde-esconde, de cobra-cega, de pega-pega, de passa-anel, dentre outras, parecem ficar no passado, se divertir nos games usando computadores conectados à internet é muito comum hoje em dia;
A Geração Y compreende os que nasceram entre o fim dos anos (1970–1990). Segundo Afonso Borges, em seu livro “Social Target”, no ano de 2012 representou 20% de toda a população mundial, período que foi marcado por grandes evoluções tecnológicas. Foi a geração que gozou o que seus p@is não gozaram, acessaram a TV a cabo, os videogames, os computadores conectados a internet, e muito mais;
A Geração Z compreende aqueles que nasceram entre os anos (1992-2010), estando ligada à expansão do uso da internet e dos aparelhos eletrônicos, sendo conhecidos como nativos digitais, dado o contexto em que vivenciam com as novas tecnologias, com os smartphones, os tablets, e o melhor de tudo, estão sempre conectados. Alguns cientistas dizem que no ano de 2045 as máquinas irão adquirir capacidades próprias, singularidades capazes de realizar coisas sozinhas, e melhor e mais rápido que qualquer humano;

Trabalham em casa no chamado Home Office, ganham dinheiro com blogs, mídias, com vendas de anúncios no canal do youtube,  publicidade, a vida profissional destes é muito flutuante e não acreditam passar a vida inteira em uma empresa apenas. Sempre estão se atualizando.


BIBLIOGRAFIA:
CURY, Augusto. O código da Inteligência: A formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil. Ediouro, 2008.
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da Infância. Trad.: Suzana M. De A. Carvalho e José L. De Melo. – Rio de Janeiro: Graphia, 2011.

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