quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ANOS 1890 - O ADVENTO DOS GRUPOS ESCOLARES



O ADVENTO DOS GRUPOS ESCOLARES

A reforma começou em 1890 pela Escola Normal, inspirada nos exemplos dos países como a Alemanha, Suiça e Estados Unidos, então criada a Escola Modelo, anexa à Escola Normal de São Paulo composta por duas classes, uma feminina e outra masculina, a partir de 1892, a reforma geral da instrução pública, seu centro localizava-se na escola primária.

A grande inovação estava na instituição dos grupos escolares “criados para reunir em um só prédio de quatro a dez escolas, pois a estrutura anterior haviam classes isoladas ou avulsas e unidocentes”.

Cada Grupo Escolar tinha um diretor e tantos professores quanto necessários no interior dos grupos escolares, dando origens às classes que correspondiam às séries anuais, eram seriados e implicavam uma progressão de aprendizagem, isto é, os alunos passavam gradativamente, da primeira à segunda série e desta para a terceira até concluir a última série.

Seus princípios pedagógicos vieram mais tarde a ser considerados como Pedagogia Tradicional:

a)    Simplicidade, análise e progressividade: o ensino deve começar pelos elementos mais simples e enriquecendo à medida que adquire os novos conhecimentos gradualmente dispostos;
b)    Formalismo: o ensino esforça-se por ser dedutivo;
c)    Memorização: a medida do conhecimento do aluno é dada pela sua capacidade de repetir o que foi ensinado pelo professor;
d)    Autoridade: a escola elabora um sistema de prêmios e castigos, de sanções visando garantir a organização pedagógica fundada sempre na autoridade do professor;
e)    Emulação: a ideia de dever, a necessidade de aprovação e o sentimento de mérito são desenvolvidos para manter a atividade escolar, contemplando o princípio de autoridade;
f)     Intuição: o ensino deve partir de uma percepção sensível do aluno e a sua observação. Desenvolvem-se todos os processos de ilustração com objetos, animais ou suas figuras. (método intuitivo divulgado pelos discípulos de Pestalozzi no decorrer do século XIX na Europa e Estados Unidos)


Rui Barbosa e Caetano de Campos foram entusiastas do método intuitivo e por ele guiou-se a organização das escolas-modelos e dos grupos escolares.


No estado de São Paulo os grupos escolares se disseminaram, chegando a 101 escolas em 1910, sendo 24 na capital e 77 no interior. De São Paulo o modelo irradiou-se pelos demais estados do Brasil.

Em Santa Catarina, o primeiro grupo escolar foi criado em 1911 na cidade de Lages, cidade natal do então governador Vidal Ramos, que emprestou seu nome ao Grupo Vidal Ramos.


Tal modelo de escola elementar encontra-se ainda hoje em vigência nas quatro primeiras séries ou “primeiros cinco anos”, onde se denomina ensino fundamental.

No fundo, as escolas-modelo formavam as elites – a questão da educação das massas populares ainda não se colocava, pois o significado pedagógico implantado no modelo dos grupos escolares levavam a divisão do trabalho escolar ao formar classes com alunos do mesmo nível de aprendizagem e nos mais refinados mecanismos de seleção com altos padrões de exigência escolar, determinavam barreiras à continuidade do processo educativo e acentuavam o aumento da repetência nas primeiras séries dos cursos.

A Reforma Sampaio Dória abriu o ciclo de reformas estaduais que marcaram a década de 1920, processo que alterou a instrução pública em variados aspectos e mais para o final da década, a penetração do ideário escolanovista, dentre as quais:

a)    O aparelhamento técnico-administrativo;
b)    A melhoria das condições de funcionamento;
c)    A reformulação curricular;
d)    O início da profissionalização do magistério;
e)    A reorientação das práticas de ensino.

Foi na década de 20 que a versão tradicional da Pedagogia Liberal foi suplantada pela Pedagogia Moderna.

Colaboraram nesse processo, a criação da Associação Brasileira de Educação (ABE) em 1924, por iniciativa de Heitor Lyra, em torno da bandeira da educação ganha impulso com a concepção humanista moderna de filosofia da educação, reunindo adeptos às novas ideias pedagógicas. Em 1927, a (ABE) organizou a I Conferência Nacional de Educação, evento promovido regularmente nos anos seguintes.

Se disseminaram as ideias laicas, culminando na exclusão do ensino religioso das escolas públicas em 1889. Separou-se Estado e Igreja em supostas ‘idas e voltas’, incluisive a Igreja reage com a pressão para o reestabelecimento do ensino religioso nas escolas públicas e difunde seu ideário pedagógico por meio de publicações de livros e artigos em revistas, jornais e nas próprias escolas normais.

REFERÊNCIAS:
SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4ª ed. – Campinas, SP: Autores Associados, 2013. – (Coleção memória da educação)

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